Piton confundida com jiboia no Rio de Janeiro
Um erro de identificação fez com que uma cobra exótica, uma Python regius, fosse solta pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro no Parque Nacional da Tijuca, área de Mata Atlântica inserida na metrópole do Rio de Janeiro.
A cobra foi confundida com uma jiboia (Boa constrictor), que é nativa do Brasil.
Assim que a soltura foi realizada a informação começou a circular nas redes sociais, chamando a atenção dos biólogos do biotwitter, que logo perceberam o erro.
Já no dia seguinte, monitores do parque começaram as buscas pela píton. Fatos como esse representa uma perigosa ameaça para o equilíbrio do bioma.
Mas quem é essa espécie exótica e qual os riscos que podem causar?
A píton-real (Python regius) é também conhecida como píton-ball e é espécie nativa da África e frequentemente criada como “pet” por ser um animal muito dócil e facilmente adaptável em cativeiro.
Essa espécie mede cerca de 1,5 metros e pesa cerca de 2 quilos, e sua alimentação é principalmente roedores e aves. Seu horário de maior atividade é entre o pôr do sol e a noite, e ela se desloca principalmente por terra (hábitos terrícolas), mas também pode ser capaz de subir em árvores (hábitos arborícolas).
As pítons, assim como as nossas jibóias, não possuem veneno e sua forma de capturar a presa é através do bote e posteriormente por constrição.
Portanto, por não ter veneno, não há risco para os frequentadores do parque. Mas, por outro lado, a presença de uma única píton solta na floresta é um grande risco ecológico.
As pítons podem se reproduzir por partenogênese, que é uma forma de reprodução onde a fêmea tem a capacidade de reproduzir sem precisar ser fecundada por um macho. Desta forma, uma única fêmea pode gerar dezenas de filhotes e ocupar rapidamente uma região.
Como ela se alimenta de aves, lagartos, mamíferos, a soltura de uma piton pode afetar diretamente essas populações. Desta forma um soltura assim deve ser evitada, primeiro porque a Floresta da Tijuca é uma unidade de conservação federal, que realiza trabalhos de reintrodução e reforço populacional e essa soltura de uma espécie exótica pode colocar em risco as populações que estão sendo reintroduzidas, além das populações nativas.
Uma soltura de animal deve sempre ser orientada por um profissional, para que sejam realizados exames clínicos, como exame de sangue, para evitar a transmissão de patógenos e doenças para as espécies nativas.
É importante que as instituições que façam resgate de fauna promovam regularmente treinamentos básicos de identificação para suas equipes e que antes de qualquer soltura, um biólogo conhecedor do grupo seja contactado. Muitas vezes, apenas o envio de uma foto por whatsapp para um especialista pode evitar um problema maior.